Nas Caraíbas é dado o alerta: estava a caminho uma doença de repercussões imensas, a Gripe Suína ou Gripe Mexicana, depois renomeada como “Gripe A”. As televisões, os jornais, as rádios anunciavam a “Peste Negra do século XXI”. E ninguém podia adivinhar as suas repercussões, tal a gravidade das notícias.
Em Portugal, os responsáveis pela saúde surgiam nos media a todas as horas, actualizando dados e alertando para planos de contingência e prevenção.
Surgiram os naturais cancelamentos de viagens entre a Europa, as Caraíbas e a América do Norte. Os executivos passaram a fazer reuniões por videoconferência. Muitas viagens de incentivos e conferências foram anuladas. O turismo de lazer foi evitado para certos destinos. As empresas responsáveis pela comercialização de anti-retrovirais aproveitam o momento com a quantidade de encomendas, muitas das quais não conseguiam satisfazer. As informações sobre as dosagens foram contraditórias e levaram a compras, sobretudo a nível estatal, que rapidamente se verificaram ter sido demasiado elevadas.
Os Operadores Turísticos e as Agências de Viagens sofreram na pele as contingências da situação e repensaram as suas ofertas de programas. Foram feitas promoções especiais, com abaixamento de preços, e as reportagens de televisão, em directo nos aeroportos, mostravam turistas que desvalorizavam o que se passava nas Caraíbas.
Enquanto muitas instituições trabalhavam nos seus planos de higiene e segurança, no Turismo de Cruzeiros, por exemplo, as companhias responderam de imediato.
Nos procedimentos rotineiros foram incluídos inquéritos sobre o estado de saúde dos passageiros. Em alguns terminais foram colocadas câmaras sensíveis ao calor que avaliavam quem entrava a bordo. No portaló de entrada (“porta” de entrada dos navios), em muitos navios, o Corpo Clínico de bordo mantinham elementos atentos a sinais passíveis de ser indicadores de doença. Nas zonas públicas dos navios foram de imediato colocados dispensadores de líquidos higienizantes e os empregados de mesa certificavam-se que, à entrada dos restaurantes, os seus hóspedes utilizavam de facto esses produtos. Stocks de anti-retrovirais passaram a fazer parte do arsenal terapêutico a bordo.
A bordo, o Comandante, o Corpo Clínico, o Responsável pela Cozinha e o Director de Hotel passaram a fazer o ponto de situação várias vezes ao dia. No caso de mais do que uma situação suspeita de doença gripal, as autoridades sanitárias em terra seriam contactadas e o(s) doente(s) seria(m) evacuado(s) helicóptero. Em casos mais graves poderiam ser tomadas outras medidas, o que veio a acontecer pontualmente.
As experiências prévias, em navios de cruzeiros, com situações epidémicas, cuja transmissão é feita sobretudo por contacto directo, como é o caso do Norovirus, permitiram criar um conjunto de procedimentos a utilizar a bordo que acabaram por ser adoptados por diversos organismos em terra.
Um ano depois é legítimo perguntar: Houve um empolamento da situação? As medidas de prevenção foram suficientes, em quantidade e em qualidade? Os hábitos de higiene foram alterados? Terão havido interesses escondidos e aproveitamentos comerciais na venda de determinados produtos? Que aprendizagem fica para o futuro?
Certo é que o Turismo interno e externo sofreu com esse empolamento, mas foi também no Turismo que foram dados passos importantes para o Controlo e Prevenção desta e de outras doenças. Em grandes comunidades, como é o caso dos resorts em terra ou nos mares, em que diariamente circulam e permanecem centenas ou milhares de pessoas provenientes de países diferentes, demonstrou-se que é possível lidar com estas situações desde que sejam seguidos procedimentos bem definidos.

