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Actualizado em Sábado, 23 Maio 2009 20:17 Sexta, 22 Maio 2009 22:41
Portos Europa Atlântica - Porto de Lisboa
Agora parece que parte do espaço dos famigerados contentores de Alcântara vai ser utilizada para a construção de um Jardim florido.
O novo terminal de cruzeiros está em andamento e os seus trabalhos continuam a um ritmo que se espera esteja a ser cumprido. Futuramente vamos deixar de ver o Independence of The Seas ou outro qualquer gigante dos mares ao descer a Avenida de Ceuta e passaremos a poder avistá-lo lá para os lados de Santa Apolónia. Esta solução trás benefícios aos turistas e é discutível o interesse que trás para os lisboetas.
Parece que em vez de biombos de cores berrantes teremos bouquets de flores. Nada contra. Gostamos todos muito flores e de espaços verdes dentro da cidade. Gostamos do Monsanto. Gostamos do Jardim Zoológico. Gostamos do Jardim da Estrela e gostamos de umas dúzias de jardins espalhados pela cidade. Mas será que também temos espaço para poder apoiar a indústria dos cruzeiros, sobretudo quando deixará de existir espaço para acostar os vários navios que chegam a Lisboa diariamente?
Fazem-se muitos estudos. Estudos de impacte ambiental, económicos e provavelmente algumas outras conclusões e opiniões que não são estudos, mas que reflectem alguma "cor" associada. Estes estudos não tiveram presente as palavras do Secretário Geral da Med Cruise (há poucos dias em Portimão) o norte-americano José Campos (apenas só o nome é português). Este alto dirigente da Med Cruise estima que cada cruzeirista deixa numa cidade de partida e chegada de cruzeiros (home port) 90,00€ e no caso de ser um porto de escala (turn around) deixa 60,00€. O tripulante pode ainda gastar mais que o turista.
Fazendo contas - quando se pensar que estes navios podem trazer 4.000 turistas e 2.500 tripulantes e não acostem no porto, Lisboa pode perder com um só navio cerca de meio milhão de euros em meia dúzia de horas, sem contar com as taxas portuárias.
Enquanto o novo terminal de Santa Apolónia não estiver funcional e o actual terminal de Alcântara tiver de deixar de operar nas condições presentes, seja pelos contentores ou pelo jardim anunciado, os grandes navios terão de fundear no estuário do Tejo. Mas pior que isso, deixarão vir a Lisboa. Quando os responsáveis pelo porto quiserem recuperar as rotas anteriores, terão de contar com muitos anos de trabalho e muito dinheiro investido em promoção - o custo de retoma é enorme.
Soluções de compromisso e alternativas até que podem ser interessantes, mas também podem custar muito a Lisboa. São naturalmente soluções tomadas para minimizar a imagem dos contentores antes das eleições.

