Sábado, Maio 19, 2012

As carências de um Algarve cruzeirista

Porto de Portimão

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PortimãoA região do Algarve é provavelmente a mais famosa de Portugal, devido ao seu clima ameno durante todo o ano e à sua posição geográfica, influenciado pelo continente europeu, pelo Norte de África, pelos oceanos Atlântico e Mediterrâneo.

 

O facto do Algarve ter uma das melhores condições climatéricas de toda a Europa é cada vez mais o refúgio de muitas dezenas de milhares de estrangeiros vivem entre nós. Mas o potencial desta região não se esgota naqueles que aqui vivem, que vêm e ficam alguns dias, mas também naqueles que poderão ficar apenas algumas horas, como é o caso dos turistas que nos chegam a bordo dos navios de cruzeiros e são essas poucas horas de permanência que os poderá fazer voltar um dia.

Os cruzeiros são uma fonte de promoção da região e de receitas económicas de grande importância para o turismo do Algarve. Estudos recentes da MedCruise* dizem-nos que um cruzeirista deixa na região junto a um porto de escala uma média de 60 euros. Se multiplicarmos este valor por três ou quatro mil hóspedes facilmente chegaremos a valores que podem variar entre os 180.000 € e os 240.000. Mas sabe-se ainda que, os tripulantes gastam valores superiores aos passageiros (cerca de 90.00€). Então não será difícil calcular a riqueza que pode ser criada com base nos navios de cruzeiros, já sem falar das taxas portuárias, nos abastecimentos, etc.

Com a falta de condições para receber navios maiores(comprimento superior a 215 metros) quem fica a perder é a região e Portimão que tem o único Porto que pode receber navios de cruzeiros em todo o Algarve.

Sobretudo no último ano o número de escalas e de passageiros aumentou de forma significativa em Portimão. Recentemente estiveram dois dos mais pontuados navios pelo Guia Berlitz (uma referência no mundo cruzeirista): os navios Europa (Hapag-Lloyd) e SeaWind (SeaDream) e ainda navios das companhias Thompson; Holland American Line; Seabourn e outras. Este é o cruzeirismo de Luxo que o Algarve bem merece em navios de pequena e média dimensão.

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Limitações ao crescimento de escalas e passageiros

Por mais esforço que possa ser feito ao nível da promoção e captação de mais e maiores navios, com as condições actuais não permitirão evoluir muito mais.

O terminal apenas consegue receber navios até 215 metros e cujo calado não seja superior a 8 metros. Esta realidade não permite dar a visibilidade e o impacto económico que a região merece.

Com algum investimento é possível criar mais riqueza para o Algarve e para o país.

É pouco motivante “ficar sentado” no terminal de cruzeiros de Portimão a ver os navios a passarem para lá do Rio Arade sem poderem acostar por falta de condições adequadas para os navios de maior porte.

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Melhorar as condições do Terminal de Cruzeiros

Segundo vários especialistas presentes na Conferência Internacional «A Náutica Desportiva e de Lazer – Rotas de Afirmação» realizada em Maio último em Portimão, os Factores Críticos de Sucesso, para o aumento de escalas e passageiros passam pela dragagem do rio até à cota -10 e pelo alargamento do canal de navegação.

É essencial também o aumento da bacia de manobra, com o intuito de facilitar rotação do navio na acostagem e ainda o aumento do cais de 330 metros para 600 metros, e assim poder receber dois navios em simultâneo. O previsto aumento do cais está consignado no acordo de construção da Marina de Ferragudo, mas no entanto a obra terá de ser iniciada.

Outro elemento considerado de grande importância é a aquisição de um Rebocador que permita o auxílio aos navios de cruzeiros nas manobras de acostagem e que auxiliem as embarcações ao largo do Algarve (em caso de urgência). A vinda de um Rebocador permitiria igualmente o combate à poluição marítima e aos incêndios a bordo.

Todas estas intervenções são fulcrais, mas se não ocorrer uma intervenção séria no Terminal de Cruzeiros, pouco efeito económico se fará sentir a posteriori.

Por exemplo quando o ferryboat transporta 600 passageiros e acosta em Portimão, a verdade é que o terminal fica lotado. Se a essa circunstância, coincidir a escala de um navio de cruzeiros mesmo de pequena dimensão, a qualidade do serviço prestado é inferior e quem perde com isso são os turistas e a cidade.
Actualmente o terminal pode receber navios até 215 metros e um calado de 7 metros.

Provavelmente com condições diferentes, outras companhias de nível mundial estariam dispostas a colocar os seus navios, ou em reposicionamento entre os continentes Europeu e Americamos ou ainda, fazer mais escalas em rotas cujos navios passem por África, Madeira, Canárias e Lisboa. É por isso que é necessário fazer algo rapidamente.

 

Vontade Política

São necessárias condições infra-estruturais mas que dependem de vontades políticas locais e nacionais.

Estas obras só poderão ser realizadas com dinheiro. Se as verbas para as obras fossem inseridas em PIDAC (Programa de Investimentos e Despesas da Administração Central) e se se transformasse o actual projecto, em Projecto de Interesse Nacional (PIN) o processo seria mais célere e menos burocrático?

É necessário criar todas as condições facilitadoras para uma melhor acostagem dos navios e que os passageiros sejam bem recebidos.

*Associação Mediterrânica de Portos de Cruzeiro representando 77 portos.

Thompson Destiny em Portimão

Volcan e Thompson

Condicoes de Portimão

Porto de Portimao

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