Escrito por Fernando Santos Sexta, 04 Setembro 2009 21:46
Como dizem os Fadistas, o Fado acontece ...ou não!
No Cruzeiro do Fado, o Fado aconteceu. Houve atmosféra.
Entraram tímidos. Muitas milhas e vários encores depois, os Fadistas Amadores* simples hóspedes, guitarristas e cantores saíram animados.
Este foi o mais Português dos Cruzeiros e o primeiro Cruzeiro do Fado.
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No final, cansados, mas animados, todos desembarcaram contando os dias e os meses para a realização do próximo, o 2º cruzeiro do Fado. Se isso acontecer esperamos lá estar para vos transmitir as emoções dum cruzeiro, que é o Cruzeiro do Fado. Nas palavras da Dra. Sara Pereira, Directora do Museu do Fado, naqueles dias o que aconteceu foi uma “reunião de família”. Estiveram reunidos fadistas, músicos e pessoas que gostam do fado e parafraseando Carlos do Carmo, esteve ali a Tribo, a Tribo do Fado.
Carlos do Carmo e a sua "Tribo" Carlos do Carmo, considera a realização deste cruzeiro como muito interessante “nunca Hoje foi o primeiro dia dos três, em que eu resolvi armar-me em inspector, eu costumo sair com os meus amigos, saímos conversamos e resolvi ficar para perceber o que se passa e é extraordinário, na entrada há uma exposição de fotografias, subi , num dos bares estava amadores a cantar, num outro bar estavam uns jovens, que eu não conheço de lado nenhum, a tocar guitarra com grande entusiasmo. Depois para o salão estava o Rui Viera Nery a apresentar o filme do Carlos Saura, depois fizemos à noite um colóquio sobre o Fado. O barco foi tomado de assalto e não vejo ninguém contrariado. As pessoas comparecem, participam, fazem perguntas, interessam-se. Acho que é uma coisa conseguida e que merece muita reflexão. Acho que o próximo cruzeiro que se vier a fazer deve ser muito ambicioso, mas isto foi um balão de ensaio e nós temos de aprender a lição toda."
Sobre Lisboa diz-nos que “é das poucas cidades do mundo que têm o privilégio de ter uma canção, são muito poucas as cidades que têm uma canção. Depois se soubermos cuidar disto tudo e no grupo de trabalho soubermos ir aperfeiçoando as coisas vão acontecendo e Tribo do Fado, como eu gosto de lhe chamar vai sendo valorizada através do que toca, do que canta, vai tendo mais mercado de trabalho e mais responsabilidades e porque a Directora do Museu do Fado chamou a atenção disto e disse nós vamos fazer um cruzeiro do Fado, e estas loucuras são precisas.
José Pracana o Director Artístico do Cruzeiro do Fado Como nos dizia o Professor Rui Vieira Nery sobre José Pracana - “uma figura interessantíssima, é a memória viva do Fado, que conheceu toda a gente e que tocou com toda a gente”
Em 56 altura não havia telemóveis e o telefone não funcionava e era caro, por isso este ingrediente que também faz parte do Fado, que é a Saudade, que é fundamental estava associado. Eu vim matar saudades aqui no Funchal e saudades com o Fado.
Professor Rui Vieira Nery e o projecto de Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, pela Unesco.
Esperamos que o próximo Cruzeiro não seja apenas o cruzeiro do Fado de Lisboa. A riqueza do nosso património fadista é tanta que permite a inclusão de outras formas de Fado cantadas noutras regiões.
* Todos os que amam o Fado |
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sentados no Salão Ilha Verde, onde tinha acabado de actuar Carlos do Carmo, no espectáculo de encerramento do Cruzeiro do Fado do Funchal e a Dra. Sara Pereira transparece a sua satisfação sobre a missão cumprida, com o programa, com os artistas e com a adesão que tinha tido o primeiro Cruzeiro do Fado.
me passou pela cabeça que isto pudesse acontecer. Nos Últimos 10 anos temos feito um trabalho de formiguinha, um grupo de pessoas, algumas são anónimas outras têm expressão publica, no sentido de cuidarmos do Fado, como quem cuida de um jardim, de uma flor, regá-lo.
"Isto é um balão de ensaio e as pessoas são muito bem atendidas, porque os empregados são impecáveis, servem, estão disponíveis, come-se bem , isto é a base da questão. há sol, as pessoas são livres, agora este lado especial que é a motivação chave e tanto quanto eu soube o número de pessoas a vir ao cruzeiro por causa do fado é de 70%, isto é muito elevado - isto foi o que me disseram, não sei se é verdade. “
sto de servirem à mesa e de se preocuparem, estamos a falar de empregados de mesa que servem pequeno almoço, almoço, lanche, jantar e em dois turnos, é violento. Eu nunca vi um empregado nestes três dias com má cara e se eles têm razão estar cansados. Tudo isto é uma série de qualidades. Nós Fado, temos de estar à altura disto. “
portaria que regulamenta o concurso. Diz-nos o Professor Nery que “Existem uma série de exigências. É preciso começar a fazer o inventário nacional do património imaterial e o Fado tem de estar registado nesse inventário. Admito que no próximo verão estaremos em condições de apresentar a candidatura. Pelo nosso lado estamos e a fazer o Trabalho de Campo, a preparar e o trabalho está a avançar muito bem."
