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Escrito por Fernando Santos Domingo, 03 Janeiro 2010 23:38
“Sempre tive uma enorme paixão por barcos!” diz-nos Fernando Oliveira.
Com 18 anos, pensou em seguir Direito, mas decidiu-se por Germânicas.
Acabou a faculdade, fez a “tropa”. Começou a viajar e a organizar tours com americanos através da Europa.
Uns anos mais tarde, em 69, estava numa companhia que fretava navios exclusivos, a Donald Fergusson, na Florida e que veio a fechar. Seguiu os passos de um seu Vice-President, que o convidou para ir para a Royal Cruise Line que depois se juntou com a Royal Viking e com a NCL.
Serviu a Royal Cruise Line durante 20 anos até que a companhia fechou, nessa altura abraçou novos rumos e chegou à Silversea, ao luxo.
O Cruise Director
Sentado numa poltrona num dos seus "habitats naturais – o Teatro", onde apresenta diariamente dois espectáculos de 45 minutos cada, Fernando Oliveira conta-nos histórias que permitiriam escrever um livro com muitos volumes de vivências a bordo. No seu papel de Relações Públicas, como descreve o seu dia-a-dia. fala-nos dos espectáculos que apresenta, dos cocktails e actividades que organiza e diz-nos “eu sou a cara da companhia a bordo. Para quem vem a bordo sou o ponto de referência.
Neste género de trabalho, devo ser o único nas companhias internacionais de luxo. Este lugar é normalmente ocupado por anglo-saxões ou americanos ou ingleses. E são todos entertainer. Eu não sou entertainer, eu vim das letras”.
Ao longo dos anos desenvolveu a capacidade de se lembrar do nome dos seus hóspedes e de os receber a bordo como se os estivesse a receber em sua própria casa. Muitos deles têm dezenas de cruzeiros feitos na Silversea.
O Cruise Director confidencía-nos “Temos aqui um casal, que já está reformado. Têm mais de mil dias connosco – são mais de 3 anos a navegar com a Silversea. Não vêm para ver uma ou outra cidade, vêm para viver.”
Passa férias e em casa de vários deles, quando tem uns dias livres e de passagem por Lisboa leva-os a Cascais sua casa.
“Lembro-me de todos os hóspedes que por mim passaram e são pessoas que viagem comigo há muitos anos.”
De cortinas vermelhas fechadas, o palco do teatro Silver Spirit, diz-nos, “é diferente dos restantes 4 navios da Silversea. Este, não dois andares, nem galerias ou mezanines. Quisemos fazer uma coisa diferente um palco mais baixo, mais pequeno. “
Ali, as horas correm a uma velocidade mais reduzida. “Os nossos hóspedes não vêm a correr para ver os espectáculos, vêm com calma. É um público conhecedor e que já esteve em Las Vegas, no West End londrino.” No Silver Spirit todos têm lugar e calmamente desfrutam do prazer do espectáculo, há tempo para ver, tomar uma bebida e descansar.
Algo de diferente a bordo
Ainda no teatro, Fernando Oliveira continua falando do seu novo navio - “Neste espaço fazemos conferências e temos sempre um historiador que aborda a história de cada país por onde passamos. Por exemplo de Portugal falámos em Fernão de Magalhães. Temos ainda um outro historiado, que é o Destinations Speaker que fala dos destinos, dos portos, etc. sempre numa perspectiva cultural.”
O Serviço de Luxo
A clientela gosta de muito bom serviço, boa comida, bons vinhos e é gente que sabe aquilo que quer e não pensa que se paga tem de comer tudo ou prato cheio. É clientela seleccionada. O dinheiro não dá classe, mas selecciona. São pessoa que já fizeram 34 cruzeiros ou 48 cruzeiros como os que temos entre nós aqui agora.
São hóspedes que conhecem outros hóspedes e que trazem cumprimentos de uns para outros e para nós, porque sabem que irão cruzar-se com essas pessoas a bordo.
"A Exclusividade tornou-se um Clube"
São clientes que gostam do Serviço, da Comida, da Discrição. Gostam que a tripulação seja “friendly but not familiar”. Aqui não perguntamos “hey… como foi o seu dia?” aqui dizemos “esperamos que tenha tido um dia muito bom!”
Porque Lisboa foi porto de embarque, pudemos observar em vários momentos a bordo os cumprimentos que eram trocados entre o Fernando Oliveira e os muitos hóspedes que vinham chegando. Entre o gangway e o teatro parámos várias vezes e vimos diversos casais cumprimentando-o afectuosamente tratando-o pelo nome próprio.
Não sabe ao certo quantas Cruzeiros à volta do mundo terá realizado, talvez entre uns 13 a 15.
Se juntar vários cruzeiros seguidos, podem perfazer “uns 28 a 30 já realizados”.
Fala-nos das suas cidades
Ao chegar a Lisboa… “Eu falo nos sistemas sonoro do navio e os hóspedes estão nos balcões das suas suites e nos terraços. Apresento Lisboa e digo que não temos crime violente em Lisboa. Recomendo uma serie de restaurantes que conheço há uma série de anos e mando gente para lá pois sei que são bem servidos. Não são restaurantes para turistas. São restaurantes onde vão as famílias portuguesas de classe média alta.”
Ao passar ao largo de Cascais e porque a clientela é sempre a mesma e já me conhece, sabe que eu sou de Cascais, falo de Cascais, do Forte, da Marina. Mais à frente do Forte de S. Julião, do Bugio.“
Adoro Istambul. Sou fascinado por Istambul. Fui para lá em 1972. Estou lá a viver.
Um porto impactante é Veneza. Faço sempre uma descrição sobre Veneza ao chegar, tal como faço sobre Lisboa.
Adoro o Rio de Janeiro. Nova Iorque. Adoro Buenos Aires. O porto é feio, mas a cidade é lindíssima.
Viu Lisboa, a sua Cascais e partiu de novo.
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